09 Julho, 2009

Dica

Depois de "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" (2004) e de alguns clips da Björk, Michel Gondry caiu no meu gosto. Precisei assistir algumas vezes ao filme de 2004 para processá-lo, e digeri-lo, completamente. O que me cativa nas suas produções é o modo como ele as dirige. Não sendo muito adepto de efeitos especiais produzidos por computador, é incrível pensar que ele brinca com nossos olhos usando, apenas, o posicionamento certo de objetos e uma câmera, assim, de um modo bem cru.
Então, movida pela admiração ao Gondry, aluguei "Rebobine, por favor"(2008). Com a atuação de Jack Black (Jerry) - "Escola de Rock" (2003) - e Mos Def (Mike) - "Cadillac Records" (2008) -, o filme mostra a desesperada, e criativa, maneira que Jerry, após sofrer um incidente magnetizante e, assim, apagar todas as fitas VHS da locadora do Sr. Fletcher, e Mike encontram para não perderem a clientela.
Entretanto, se não fosse pela direção de Gondry, talvez eu não o tivesse alugado. Ele deixou sua marca realizando pequenos efeitos. Mas muito além disso, ele mostrou que sabe dirigir filmes 'comuns' e, ainda assim, torná-los especiais.

08 Julho, 2009

Cotidiano televisivo 1

Os meus amigos e conhecidos sabem que, esse ano, eu parei de estudar. Larguei o cursinho e caí nas tentativas de levar uma vida sem vestibular. Então com tanto tempo livre, nenhum talento ou inspiração são suficientes para preencherem 24 horas. E o que me resta? Assistir à televisão. Mas televisão que se preste - se isso for possível - só acontece depois das 19 horas. A partir desse horário começam as séries 'passatempos', como "Two and a half man", "That's 70's show" e os episódios em 'repeat' de "Friends".
Se for uma segunda-feira, às 22 horas passa "CQC" - que nessa segunda passada, anunciou que irá processar os seguranças do Sarney. Já de terças-feiras, há o divertido - e diria até não muito útil - "Esquadrão da Moda" no SBT. Tem também "The Big Bang Theory" na Sony. Às quartas-feiras não há nada. Nas quintas-feiras há até demais; passa a versão americana de "Ugly Betty" na Sony, "Casas ecológicas" no Discovery Home&Health, "America's Next Top Model" na Sony e "Quinta categoria" - cópia de quinta de "Whose line is it anyway?" - na MTV. Dia de "couch potato", para ser bem clara. Sextas-feiras são de descanso, para ser possível processar tantas informações úteis! Sábados, junto com os domingos, acontecem as reprises. Mas, aos domingos fatídicos o que salva é "My name ir Earl" no FX.
Então, quando me perguntam o que eu 'ando fazendo de bom', respondo naturalmente: "Eu tenho lido vários livros, escrito alguns contos, desenhado e fotografado bastante.". Mentira! Não é por completo. Afinal, nas outras horas que me restam do dia, eu faço o que digo. Porém, esse cotidiano televisivo me consome bastante tempo e me entrega bastante ócio. Ócio!

28 Junho, 2009

Reflexão de um domingo à noite

Há alguma horas eu estava vendo televisão e passava uma reportagem sobre a curiosidade humana. Nada interessante. Mas o que se seguiu, após eu ter desligado o aparelho e ter vindo pro computador, foi até interessante. Chequei meus e-mails - quantos! - e em um deles, desses de pps., constava escrito no primeiro slide: " imagens fortes". Olhe bem, isso me incitou e até mesmo me fez pensar se deveria mesmo ver a apresentação até o fim. Cliquei pra continuar. Fotos de filhotes, em situações nada naturais, começaram a aparecer com frases de incentivo e pensei que talvez fosse uma tentativa de humor, pouco elaborada, aquele aviso inicial. Não lembro como que fizeram a conexão, mas, de repente, - mesmo com aquele aviso - eu me surpreendi com a foto de um bebê polonês com graves queimaduras pelo corpo. Dizia, também, que os pais receberiam dinheiro para cada e-mail enviado. E, sinceramente, eu não o repassei.
Esse e-mail me fez pensar em como acreditar nos outros tem sido difícil ultimamente. Fez-me pensar em como ajudar os outros tornou-se algo tão complicado e, se o ajudado e o ajudante não tiverem lucros iguais, questionável.
Não acredito nesses e-mails e nem sei se deveria. A questão é que não vejo necessidade em repassar aquela imagem, do pequeno sofrendo. É de conhecimento de todo mundo que existem casos como desse bebê e, mesmo assim, nada muda.
Acho que hoje em dia, mais do que antes, precisamos ter proximidade com o real. Já não é possível crer naquilo que vemos por fotos ou ouvimos dos outros. Tudo tão distorcido e exagerado. Mas, essa necessidade de quase "tocar a realidade" é simplesmente um modo de acabar com a nossa curiosidade. E quando conseguimos matá-la, por falta de um termo melhor, percebemos que é um tormento visual e psicológico. Este é totalmente induzido, não por nós mesmos - que nos consideramos altamente racionais e controladores - , mas, sim, por ela: a curiosidade. E digo bem de passagem...maldita seja!

11 Fevereiro, 2009

Querida Maria,

É fato que, durante dias, eu tentei me enganar e me ocupar para que esta carta não fosse escrita. Quando me encontro sozinha ou vazia de pensamentos, lembro-me de você. Não encare isto como um ato, por exagero do adjetivo, romântico. Lembro de fragmentos que você deixara por aqui; na minha vida. Às vezes, eles me afastam o sono e, até mesmo, minha sanidade. Porém, apesar destas consequências, devo dizer que o tempo que você tornou-se presente foi de extrema e exuberante alegria. Com você perto de mim, eu pude, por breves instantes, alcançar algo maior que meus objetivos. Acho que relaciona-se com o ego ou a psicologia social; não sei.
Entretanto, agora você pode pensar e, até mesmo, hipotetizar que eu sinto sua falta. Seria falsidade se eu dissesse que não fiz o mesmo. Mas, sinto-me mais segura e tranquila, no momento atual ou no período de tempo em que aqui escrevo meus pensamentos e sentimentos acerca de você, ao pensar que você fora algo passageiro; só. Agoramente, ocorreu-me a vontade de rasurar as frases do parágrafo acima. Você não merece elogios ou, por falta de um termo melhor, complementos.
Então, digo-lhe que desprezo-te não só como pessoa mas também pelas horas que você me retirou. Não te desejo o pior; isso você já o fez para mim. Simplesmente, quero terminar esta relação. Devemos nos afastar, ato que deveríamos ter feito desde o início, e deixar que o pesar dos anos nos traga o esquecimento.

Sem remorsos,

V.C.