Sentiu-se alegre sem motivo algum. Pegou o casaco, jogado na cadeira, colocou o par de botas e saiu. O ar tinha um cheiro leve, meio cítrico. Era calmo o dia. O sol ora se escondia nas nuvens, ora iluminava ali em baixo. Passou entre as árvores. As folhagens já começaram a cair. A rua estava forrada de dourado. E um sorriso grande, demasiadamente desproporcional ao rosto, se postou. E ele não iria perecer.Viu os velhos rostos, as velhas casas, sentiu os velhos aromas e tudo aquilo lhe agradou.Magnífico! Tamanha felicidade não deveria ser dada só a um ser. Não deveria permanecer só em um ser. Deveria irradiar em todos os sentidos. Atingir o máximo de almas possíveis e não voltar à fonte. Mas, aquela felicidade era assim tão majestosa? Não, não era. Era pequena, inútil e efêmera. Quem se importa? Algo desse tipo não se tem todos os dias, não?
Então, decidiu subir a rua no sentido norte. Iria fazer algo que já devia ter feito. Mesmo com a inclinação da subida, não se cansou. Chegou ao topo. Viu a porta. Era branca, intocada. Intocada por toda uma vida de puro orgulho. A maçaneta era convidativa. E como era! Quando o pé direito acompanhou o esquerdo, e adentrou pela porta, o passado foi deixado para trás.
Luz grandiosa! Encha minha consciência com brandura, com essa luz amarela e deixe-me ser como as folhas que forram o chão de dourado: renascem límpidas, puras para mais uma longa estação.
4 comentários:
Não importa a descrição de ambiente que você faça. Se está úmido, escuro ou não. Senpre que te leio, imagino a mesma rua, e o mesmo dia. E nunca um rosto definido.
(O perfil da menina da foto, se parece com o seu)
;)
Lembrei de algumas descrições sobre felicidade nos livros de autores russos, eles sempre descrevem a felicidade relacionada a natureza e ao cotidiano, diferente de nós que procuramos esse tipo de coisa detestavel,a felicidade, em coisas diferentes nos nossos dias.
voce nao falo que tinha postado, e só hoje eu fui ver, gostei do texto, o meu comentario nao é igual ao da livia e do cassiano, mas tudo bem
bjs
escrever é uma arte que exige um espirito sensivel e aberto a possiblidades. Senti nesse texto muitas possibilidades de ver que a vida declama poesia ao ar solto esperando que alguém as colha e façam um buquê para embelezar o mundo... fico feliz de que nós façamos parte desses escolhidos.. bjão
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