28 Junho, 2009

Reflexão de um domingo à noite

Há alguma horas eu estava vendo televisão e passava uma reportagem sobre a curiosidade humana. Nada interessante. Mas o que se seguiu, após eu ter desligado o aparelho e ter vindo pro computador, foi até interessante. Chequei meus e-mails - quantos! - e em um deles, desses de pps., constava escrito no primeiro slide: " imagens fortes". Olhe bem, isso me incitou e até mesmo me fez pensar se deveria mesmo ver a apresentação até o fim. Cliquei pra continuar. Fotos de filhotes, em situações nada naturais, começaram a aparecer com frases de incentivo e pensei que talvez fosse uma tentativa de humor, pouco elaborada, aquele aviso inicial. Não lembro como que fizeram a conexão, mas, de repente, - mesmo com aquele aviso - eu me surpreendi com a foto de um bebê polonês com graves queimaduras pelo corpo. Dizia, também, que os pais receberiam dinheiro para cada e-mail enviado. E, sinceramente, eu não o repassei.
Esse e-mail me fez pensar em como acreditar nos outros tem sido difícil ultimamente. Fez-me pensar em como ajudar os outros tornou-se algo tão complicado e, se o ajudado e o ajudante não tiverem lucros iguais, questionável.
Não acredito nesses e-mails e nem sei se deveria. A questão é que não vejo necessidade em repassar aquela imagem, do pequeno sofrendo. É de conhecimento de todo mundo que existem casos como desse bebê e, mesmo assim, nada muda.
Acho que hoje em dia, mais do que antes, precisamos ter proximidade com o real. Já não é possível crer naquilo que vemos por fotos ou ouvimos dos outros. Tudo tão distorcido e exagerado. Mas, essa necessidade de quase "tocar a realidade" é simplesmente um modo de acabar com a nossa curiosidade. E quando conseguimos matá-la, por falta de um termo melhor, percebemos que é um tormento visual e psicológico. Este é totalmente induzido, não por nós mesmos - que nos consideramos altamente racionais e controladores - , mas, sim, por ela: a curiosidade. E digo bem de passagem...maldita seja!